Jhonatan de Jesus e Hugo Motta. Foto: divulgação/ Republicanos

 

Ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) estão internamente preocupados com a possibilidade de que questões políticas acabem influenciando decisões que deveriam ser estritamente técnicas, devido aos vínculos do ministro Jhonatan de Jesus com o Centrão, bloco de partidos com grande influência no Congresso Nacional.

Jhonatan de Jesus, hoje ministro do TCU, foi deputado federal por Roraima e figura próxima ao Centrão, grupo político conhecido por sua atuação pragmática e por negociar apoio parlamentar em troca de cargos e benefícios legislativos. Sua trajetória política, inclusive sua indicação ao TCU com apoio parlamentar significativo, é vista por colegas como um motivo pelo qual há percepção de politização em debates que deveriam ser técnicos no tribunal.

A reportagem de CartaCapital menciona que justamente essa percepção de vínculos partidários tem gerado incômodo interno no TCU, especialmente quando o tribunal discute temas de grande impacto público. Um dos exemplos mais recentes é o caso relacionado à liquidação do Banco Master pelo Banco Central, que virou foco de um embate entre o TCU e a autoridade monetária.

No caso do Master, Jhonatan de Jesus determinou inicialmente uma inspeção no Banco Central, questionando a forma como a liquidação foi conduzida: uma decisão que acabou sendo suspensa e levada ao plenário após reação institucional e repercussão ampla.

Segundo a apuração, ministros do TCU entendem que a notoriedade pública e os laços políticos do ministro Jesus com parlamentares do Centrão podem criar uma “contaminação” política em debates do tribunal. Ou seja, dá-se mais atenção à repercussão ou aos alinhamentos políticos do que unicamente às análises técnicas previstas no papel do TCU.

Esse tipo de avaliação interna ressuscita debates sobre a independência técnica das cortes que fiscalizam o uso de recursos públicos, especialmente quando os envolvidos têm passado político recente e rede de relações entre poderes.

Em linhas gerais, a reportagem mostra que, embora o TCU seja um órgão técnico constitucionalmente responsável por fiscalizar a administração federal, há tensão entre ministros sobre como decisões são tomadas quando um dos pares tem vínculos políticos tão marcantes – neste caso, com o Centrão – e como isso pode influenciar a credibilidade do tribunal perante a sociedade e outras instituições.

Deixe seu comentário

Please enter your comment!
Please enter your name here