Reunião entre o Governo de Roraima e o Comando Militar da Amazônia (Reprodução/Arthur Farias)

Após o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), sugerir o fechamento da fronteira do Brasil com a Venezuela, órgãos públicos e autoridades políticas passaram a se manifestar sobre a possibilidade de um novo êxodo de imigrantes do país vizinho para o território brasileiro. Nesta terça-feira, 6, a Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR) informou à imprensa preocupação com os possíveis impactos humanitários da medida e alertou para o risco de aumento no fluxo migratório pela fronteira norte do País.

De acordo com a DPE-RR, Roraima enfrenta limitações estruturais históricas nas áreas de saúde, assistência social, educação e acolhimento. Um crescimento rápido da demanda, segundo o órgão, pode sobrecarregar os serviços públicos, com impactos mais imediatos nos municípios de Pacaraima e Boa Vista.

“Roraima tende a sentir esse impacto de forma direta, por concentrar a principal entrada terrestre no Brasil, especialmente pelo município de Pacaraima. Pessoas em situação de maior vulnerabilidade, como crianças e adolescentes, mulheres, povos indígenas transfronteiriços, pessoas idosas, pessoas com deficiência e a população LGBTQIAPN+, costumam enfrentar mais dificuldades para acessar saúde, proteção social, documentação e acolhimento”, informou o órgão, em nota.

A Defensoria sugeriu a adoção de ações coordenadas entre os governos federal, estadual e municipais, com reforço da Operação Acolhida, fortalecimento das redes de saúde, educação e assistência social em Roraima, ampliação do processo de interiorização e mobilização de recursos humanos, financeiros e logísticos.

O defensor público-geral de Roraima, Oleno Matos. Foto: ascom/DPE-RR

O defensor público-geral do Estado, Oleno Matos, afirmou que são necessárias medidas preventivas, com foco na proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade e na preservação da capacidade dos serviços públicos.

“Traçamos cenários de possibilidades. Seja um cenário em que os Estados Unidos, a Europa ou outros países bloqueiem a Venezuela em relação a negociações; seja um cenário de ataques ou até de invasão do território vizinho. Roraima vai sofrer nessas situações e sentimos, sim, a ausência do governo federal”, afirmou Matos.

Impactos em Boa Vista
No mesmo sentido, o vereador de Boa Vista Bruno Perez (MDB) tem alertado, ao longo dos anos, sobre os impactos da imigração na capital roraimense. Para ele, trata-se de um problema antigo que precisa de uma resposta efetiva do governo federal.

“A crise na Venezuela já dura mais de uma década e, nesse mesmo período, Roraima tem recebido milhares de imigrantes em busca de emprego, cidadania, saúde e educação. Essas pessoas precisam de suporte, mas um País não cabe dentro de um Estado. Quem acaba pagando a conta são o governo estadual, a prefeitura e as ONGs, porque o governo federal ainda não se envolveu com a imigração de forma efetiva”, afirmou o parlamentar.

Governo pede suporte ao Exército
Denarium se reuniu, na segunda-feira, 5, com o comandante do Comando Militar da Amazônia (CMA), general de Exército Viana Filho, para tratar do fortalecimento da integração entre as forças estaduais de segurança e o Exército Brasileiro, especialmente no acompanhamento e monitoramento da faixa de fronteira.

O general Viana Filho destacou que a visita fez parte de uma agenda institucional de rotina e avaliou positivamente o cenário observado na região.

“Estamos visitando a 1ª Brigada e aproveitamos para conhecer o pelotão de fronteira em Pacaraima, onde constatamos uma situação de normalidade. A integração entre as forças de segurança e o Exército gera tranquilidade, com fluxo migratório dentro da normalidade”, afirmou o comandante.

A reunião marcou a primeira visita institucional de 2026 do comandante do CMA ao Governo de Roraima. Participaram do encontro o vice-governador Edilson Damião, o comandante do Exército em Roraima, general de brigada Roberto Pereira Angrizani, e o chefe da Operação Acolhida, general Santos, além de representantes da cúpula da segurança pública estadual. As autoridades reafirmaram o compromisso de ampliar ações de inteligência e monitoramento preventivo.

Na fronteira, no município de Pacaraima, o foco do Exército Brasileiro segue sendo o monitoramento da região e o combate à entrada de ilícitos no Brasil.

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