Após o ataque dos Estados Unidos a Caracas, na Venezuela, e o anúncio da captura do presidente Nicolás Maduro, a fronteira entre o Brasil e o país vizinho foi fechada em Pacaraima, no Norte de Roraima. A reportagem do Roraima 1 ouviu o cientista político Paulo Racoski, que avaliou os possíveis impactos da crise para o estado.
“Boa Vista e toda a região acabam entrando numa área estratégica de defesa do próprio Brasil. Em momentos de conflito, esse território passa a ser observado de forma diferente, porque ele se torna parte de uma lógica militar e geopolítica maior. Esse é um debate antigo, que sempre existiu em períodos de maior tensão”, afirmou.
Segundo Racoski, o atual cenário reacende preocupações que estavam latentes desde episódios anteriores de instabilidade, agora em um contexto considerado mais complexo. “Comparado a 2019 e 2020, a gente tinha a sensação de que o ambiente estava mais calmo. Agora, com um ataque dessa magnitude, os fenômenos tendem a se intensificar. A guerra muda completamente o cenário e cria um grau de incerteza muito maior”, avaliou.
O cientista político também destacou que um dos principais efeitos imediatos de conflitos armados costuma ser o deslocamento forçado de civis, com reflexos diretos nas regiões de fronteira.
“Quando há bombardeios e operações militares, o deslocamento de pessoas é um fenômeno real. A Venezuela ainda tem milhões de habitantes, e uma parte dessa população pode tentar sair do país. A fronteira brasileira passa a ser um dos caminhos possíveis”, disse.
Na avaliação dele, a preocupação não se restringe ao território venezuelano, mas envolve diretamente o Brasil, especialmente Roraima, pela proximidade com áreas sensíveis do conflito.
“Essa linha de fronteira se torna uma área delicada para o Brasil. Qualquer intensificação do conflito pode gerar impactos aqui, seja do ponto de vista humanitário, seja do ponto de vista estratégico”, afirmou.
O ataque à Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que forças norte-americanas realizaram um ataque de grande escala contra alvos na Venezuela. Segundo ele, o presidente Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram capturados e retirados do país por via aérea.
O governo dos EUA informou que a operação está relacionada a acusações de narcoterrorismo pelas quais Maduro foi indiciado pela Justiça americana em 2020. A procuradora-geral Pam Bondi declarou que o presidente venezuelano responderá aos processos em solo norte-americano.
Em reação, o governo venezuelano classificou a ação como agressão militar e decretou estado de emergência nacional. Explosões foram registradas em Caracas e em instalações militares, como o complexo de Fuerte Tiuna.








