Aeroporto de Boa Vista. Foto: Roraima 1

O aumento no preço do querosene de aviação no Brasil acendeu um alerta para estados mais dependentes do transporte aéreo, como Roraima, onde as passagens já estão entre as mais caras do país. O impacto tende a ser ainda mais significativo em rotas com pouca concorrência e longas distâncias, como as que ligam Boa Vista a outros centros.

O combustível, principal insumo das companhias aéreas, sofreu reajuste superior a 50% no início de abril. Com isso, passou a representar cerca de 45% dos custos operacionais das empresas, segundo o setor .

Na prática, especialistas apontam que o aumento pode ser repassado ao consumidor, com alta estimada entre 10% e 16% nas passagens aéreas, podendo chegar a patamares ainda maiores dependendo da rota e da concorrência .

Impacto direto em Roraima

Em estados como Roraima, onde o transporte aéreo é praticamente a única alternativa rápida de deslocamento para outras regiões do país, o efeito tende a ser mais intenso. Isso porque rotas com menor oferta de voos e baixa concorrência costumam registrar preços mais elevados, cenário já consolidado no estado.

Especialistas do setor apontam que trechos com pouca competição são os mais sensíveis ao aumento de custos, já que as companhias têm maior liberdade para repassar os reajustes ao consumidor.

Além disso, empresas aéreas já começaram a adotar medidas para compensar a alta do combustível, como aumento de tarifas e redução da oferta de voos, o que pode diminuir ainda mais as opções para passageiros .

Risco de isolamento e impacto econômico

A tendência de encarecimento das passagens preocupa por ampliar o isolamento logístico de Roraima, estado que depende fortemente da aviação para turismo, negócios e acesso a serviços em outros centros.

O aumento também pode ter efeitos indiretos, como encarecimento do transporte de cargas e produtos, já que parte das mercadorias chega ao estado por via aérea. Segundo economistas, esse efeito em cadeia pode pressionar preços e impactar o custo de vida local .

Diante do cenário, o governo federal diz buscar medidas para reduzir o impacto sobre o setor aéreo, como cortes de tributos e incentivos para as companhias. Ainda assim, a tendência no curto prazo é de passagens mais caras em todo o país, com efeitos potencialmente mais severos em regiões como Roraima.

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