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Foto: Caixa

Boa Vista vem se transformando em um ponto de encontro entre culturas, migrantes e povos originários. A condição fronteiriça com Venezuela e Guiana e a presença de comunidades indígenas em todo o estado influenciaram não apenas a vida cotidiana, mas também serviços essenciais, como o acesso ao sistema bancário.

Nas últimas semanas, clientes relataram que duas agências da CAIXA passaram a oferecer atendimentos em espanhol e em línguas indígenas. As unidades Raiar do Sol e Asa Branca adotaram o formato após identificarem demanda crescente de pessoas que enfrentam barreiras linguísticas no português.

Além do fluxo constante de venezuelanos que chegam ao estado, Roraima abriga uma das maiores populações indígenas do país. Funcionários da instituição estimam que, apenas na fronteira, cerca de 300 venezuelanos cruzam diariamente para o Brasil, ao mesmo tempo em que o estado contabiliza mais de 100 mil pessoas de diferentes etnias.

Língua indígena no balcão

No bairro Raiar do Sol, uma funcionária passou a atender clientes em Wapichana e, quando necessário, em Macuxi. Para muitas famílias indígenas, a possibilidade de resolver questões financeiras na própria língua significa segurança e autonomia.

“Eu sou Wapichana e falo a língua, mas, se chega alguém falando Macuxi também consigo ajudar”, contou a atendente Erica Manduca. Ela relata que a principal motivação é diminuir a distância entre o cliente e o serviço bancário. “O que me motivou a atender os povos indígenas foi poder ajudá-los a ter acesso aos produtos do banco, trazendo mais inclusão social, e isso é uma grande alegria para mim”, declarou.

Marcos, professor e cliente, teve a experiência de ser atendido no idioma indígena. Para ele, o gesto tem valor simbólico e prático. “Ser atendido em uma língua indígena é muito gratificante, pois representa o cuidado com o nosso povo. Fiquei muito feliz por esse atendimento e ressalto a importância dele”, pontuou.

Espanhol para migrantes e refugiados

No Asa Branca, o foco principal é o atendimento em espanhol. A agência se tornou referência para imigrantes e refugiados, em especial venezuelanos, que fixaram residência em Boa Vista ao longo dos últimos anos.

O funcionário Edward Garcia, cubano, explica que o idioma funciona como ponte para pessoas que ainda estão aprendendo português. “Quem é estrangeiro, quando sai do seu país, é muito confortável que alguém fale sua língua para que a pessoa se sinta mais segura. Eu incentivo os migrantes a falarem em português, mas, quando não é possível, atendemos em espanhol”, disse.

O engenheiro venezuelano Manuel Fuentes abriu sua primeira conta no Brasil em Pacaraima, na fronteira, e relata que a comunicação no início da chegada foi um obstáculo. “Quando você é atendido em espanhol, sente mais confiança ao se comunicar, porque no início a gente não entende direito o português”, finalizou.

Serviço

  • Atendimento em línguas indígenas Wapichana e Macuxi
    Agência Raiar do Sol – Rua Estrela D’Álva, 456, Boa Vista (RR)
  • Atendimento em espanhol
    Agência Asa Branca – Avenida Ataíde Teive, 3997, Boa Vista (RR)

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