A tradição da produção de panelas de barro e os conhecimentos transmitidos entre gerações por mulheres indígenas são o tema do livro Tukui ’pa e os segredos da Vovó Barro, que será lançado nesta sexta-feira (6), durante o Festival Panela de Barro, na Comunidade Indígena Raposa I, em Normandia, ao Norte de Roraima.
Escrito por Luciana de Souza Vitório, o livro apresenta uma narrativa ilustrada voltada ao público infantil. A história aproxima as crianças dos saberes tradicionais envolvidos na produção das panelas de barro, destacando a transmissão desses conhecimentos entre mulheres e meninas da comunidade.
A ideia surgiu durante as vivências da autora em comunidades indígenas, no desenvolvimento de uma pesquisa sobre o conhecimento ancestral Makuxi e a forma como ele é compartilhado com visitantes.
“A ideia surgiu durante as vivências ancestrais na comunidade e com intuito de conversar com o público infantil a respeito. A reflexão veio a partir da pergunta de uma criança sobre o meu trabalho de pesquisa que aborda o conhecimento ancestral Makuxi e como ele é compartilhado com os visitantes”, explicou Luciana.
Para ela, a obra também representa uma oportunidade de dar visibilidade aos conhecimentos dos povos originários, que nem sempre são reconhecidos.
“O maior significado é a visibilidade para este conhecimento legítimo dos povos originários, que via de regra, não é reconhecido. Então, o principal objetivo da obra é mostrar o conhecimento que é produzido no território”, afirmou.
Conhecimento ancestral e literatura infantil
A publicação surgiu durante o doutorado da autora em Turismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A partir da experiência de campo, ela encontrou na literatura infantil uma forma de compartilhar os resultados e as vivências da pesquisa em uma linguagem acessível às crianças.
O livro foi publicado pela Wei, editora independente voltada à literatura indígena, e conta com ilustrações do artista makuxi James Galvão.
Além da versão impressa, a obra também terá formato digital. Segundo a autora, a publicação em e-book deve facilitar o acesso de mais pessoas ao conteúdo. Luciana destaca que o processo também trouxe reflexões pessoais sobre identidade e pertencimento.
“O maior aprendizado foi um auto-letramento racial e a compreensão do conhecimento ancestral como vivência, cosmovisão e pertencimento”, acrescentou,
O lançamento no Festival Panela de Barro será a primeira apresentação pública da obra. Os exemplares e a versão digital estarão disponíveis posteriormente por meio da editora e de plataformas de venda.










