Soldado Sampaio (Republicanos) caminha para deixar um legado de cobranças. Às vésperas da Expoferr, artistas locais ainda pedem pagamento por apresentações já realizadas há meses. Médicos credenciados pela Saúde denunciam plantões sem remuneração e ausência de uma data para receber, dentre tantas outras polêmicas relacionadas a atrasos e suspensão de atividades de fornecedores. A festa tem calendário. Para quem trabalhou, sobra a espera.
É uma escolha política que merece cobrança. Quem assume novos compromissos precisa explicar por que não cumpriu os anteriores. Divulgação de shows não apaga dívida, e promessa de pagamento não sustenta a casa de ninguém.
Na Saúde, atrasos quantos aos fornecedores e parceiros. Os médicos afirmam que estão sem receber pelos plantões de agosto e setembro, além de valores de julho ainda incompletos. Também denunciam cortes de plantões sem explicação. Enquanto isso, a Sesau preparou uma licitação de manutenção predial estimada em R$ 163 milhões.
O valor previsto exige explicações sobre preços e serviços e o governo interino precisa responder porque o processo está sob sigilo. O remanejamento informado de R$ 18 milhões de salários e benefícios da Saúde para conservação de imóveis também precisa ser destacado. É necessário esclarecer se houve impacto nos pagamentos, sem antecipar uma relação que depende de documentos.
Atrasos nos pagamentos de serviços de limpeza e alimentação no HGR, na Clínica Renal e em unidades conveniadas ampliam o saldo de uma gestão breve, mas danosa em várias frentes.
A restrição ao acesso externo do SEI relatados em diferentes esferas da administração estadual de Sampaio dificulta esse acompanhamento. A manutenção de segurança alegada pode ser necessária, mas o governo continua obrigado a oferecer informações e meios de consulta. No IPER, diárias e passagens também precisam passar por uma análise completa. Aumentos de valores foram registrados e uma crescente liberação de diárias tem sido acompanhada.
O Ministério Público de Contas (MPC) e os demais órgãos fiscalizadores devem investigar com o mesmo rigor empregado nas apurações envolvendo o outro grupo político antes das eleições. O calendário eleitoral não pode determinar a intensidade da fiscalização. Contratos, viagens e transferências de recursos exigem a mesma atenção, independentemente de quem esteja no governo.
Somam-se a essas cobranças os relatos de suposto favorecimento a aliados na PMRR, inclusive por meio de promoções apontadas como não previstas. Para uns, tanto, para outros, nem tanto.
À Assembleia Legislativa de Roraima fica o alerta: uma eventual indicação de Sampaio ao Tribunal de Contas colocaria à prova a responsabilidade dos deputados. Antes de confiar a ele o julgamento das contas alheias, precisam cobrar respostas sobre sua gestão. A cadeira de conselheiro não poderia servir de prêmio de consolação após uma derrota eleitoral.
Esse é o legado pelo qual Sampaio deve ser cobrado: como tratou quem trabalhou para o Estado e como explicou o uso do dinheiro público. A responsabilidade virou dele, ainda que parte dos problemas tenha começado antes.
E esse histórico pesa sobre qualquer pretensão de chegar ao Tribunal de Contas. Um gestor que deixa trabalhadores cobrando pagamento e não oferece respostas suficientes sobre as próprias contas não reúne condições para ser conselheiro. Jamais deveria receber a responsabilidade de julgar as contas alheias sem antes esclarecer as suas.










