A Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) está em Georgetown, capital da Guiana, para identificar oportunidades de negócios impulsionadas pelo crescimento da indústria petrolífera no país vizinho. A iniciativa também coloca Roraima no contexto da expansão comercial, já que o estado abriga a principal ligação terrestre entre o Brasil e o mercado guianense, por meio da fronteira entre Bonfim e Lethem.
A missão, denominada Prospect Guiana 2026, reúne representantes do Sistema FIEPA em visitas a órgãos governamentais, entidades empresariais, portos e organizações privadas. A programação inclui reuniões com a agência de promoção de investimentos Go-Invest Guyana, a Câmara de Comércio de Georgetown e o Ministério da Agricultura.
O objetivo é conhecer as demandas do mercado guianense e identificar oportunidades para empresas brasileiras fornecerem máquinas, equipamentos, materiais de construção, insumos e serviços necessários à expansão econômica do país.
Roraima na rota dos negócios
A localização de Roraima representa uma vantagem geográfica para o comércio entre o Brasil e a Guiana. A ligação pela BR-401, passando por Bonfim e pela cidade guianense de Lethem, permite o transporte terrestre de mercadorias e pode favorecer operações comerciais envolvendo empresas do Norte do Brasil.
Para Roraima, o avanço das relações econômicas com a Guiana abre perspectivas para os setores de transporte, logística, armazenagem, comércio e prestação de serviços. A movimentação de produtos destinados ao mercado guianense também pode estimular negócios em Boa Vista e nos municípios próximos à fronteira.
Apesar da proximidade geográfica, o aproveitamento dessas oportunidades depende de fatores como infraestrutura rodoviária, procedimentos alfandegários, capacidade logística e condições de acesso ao mercado guianense.
Petróleo impulsiona economia da Guiana
Impulsionada pela exploração de petróleo em águas profundas na Margem Equatorial, a Guiana registra forte expansão econômica. Segundo dados do Bureau of Statistics, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 19% em 2025.
O crescimento aumenta a procura por produtos e serviços em diferentes segmentos, especialmente construção civil, infraestrutura, energia, agricultura e fornecimento de equipamentos industriais.
Coordenada pelo Centro Internacional de Negócios (CIN), com participação da Redes FIEPA, a missão busca preparar empresas para atender a essas demandas e ampliar a presença brasileira nas cadeias produtivas guianenses.
Atualmente, o comércio entre o Pará e a Guiana ainda é considerado incipiente. Entre janeiro e junho de 2026, as exportações paraenses ao país somaram US$ 250,8 mil, colocando o estado na 15ª posição entre os exportadores brasileiros para aquele mercado. O pargo foi o principal produto comercializado.
A FIEPA também destaca a fronteira terrestre por Roraima e o acordo de preferências tarifárias em vigor desde 2004 como fatores que contribuem para o potencial de ampliação das relações comerciais.
Indústria paraense busca espaço no mercado internacional
Para o presidente do Sistema FIEPA, Alex Carvalho, a missão representa um primeiro passo para ampliar o diálogo com o mercado guianense e preparar empresas brasileiras para participar das cadeias produtivas ligadas ao petróleo e a outros setores em expansão.
“Este é um primeiro passo para ampliar o diálogo com o mercado guianense e preparar a indústria paraense para ocupar espaço nas cadeias produtivas geradas pela produção de óleo e gás e de outros produtos que estão impulsionando o crescimento da Guiana”, afirmou.
Carvalho destacou que o Pará possui experiência em mineração, metalurgia, energia e infraestrutura, além de uma cadeia de fornecedores com capacidade para atender grandes empreendimentos.
“A Margem Equatorial é uma nova fronteira de desenvolvimento para a nossa região, e o Pará quer estar presente nessa cadeia de oportunidades. Então, fortalecer os laços com vizinhos que compartilham a mesma vocação industrial é estratégico”, concluiu.
Embora a missão tenha como foco a indústria paraense, a posição de Roraima como corredor terrestre entre Brasil e Guiana amplia a relevância do estado nas discussões sobre integração regional. A possibilidade de crescimento do fluxo de mercadorias reforça a importância de investimentos em infraestrutura e logística para que a expansão econômica do país vizinho também se traduza em oportunidades para o mercado roraimense.










