Moradores da Vila Serra Dourada, na zona rural de Caracaraí, denunciam que estudantes da rede municipal estão sem aulas presenciais e recebem apenas apostilas a cada 15 dias. Segundo a comunidade, o problema estaria relacionado às condições do prédio da Escola Estadual Maria de Lima Uchôa, utilizado também pelo município para atender crianças da região.
De acordo com um morador que preferiu não se identificar, temendo represálias, o prédio era compartilhado pelas duas redes de ensino. Pela manhã, funcionavam as atividades da rede municipal e, no outro período, as aulas da rede estadual.
O morador afirma que a parte estadual deixou de funcionar e que, desde então, o município continua utilizando o prédio. A comunidade, no entanto, cobra uma reforma no imóvel e diz que as intervenções são prometidas desde o início do ano.
“Desde o início do ano ela vem prometendo a reforma, prometendo a reforma, e até hoje nada”, relatou o morador, ao cobrar providências da Prefeitura de Caracaraí. Segundo ele, equipes já estiveram na comunidade pelo menos três vezes para avaliar a estrutura da escola e verificar quais serviços seriam necessários, mas nenhuma obra havia começado até esta terça-feira (6).
O morador também afirma que materiais foram retirados da unidade no início do ano, entre eles um bebedouro. Enquanto aguardam uma solução, as crianças estariam recebendo atividades impressas em intervalos de aproximadamente 15 dias. “As crianças estão perdendo aula. Só estão fazendo entrega de apostila de 15 em 15 dias”, afirmou.
Outro lado
A Secretaria de Estado da Educação e Desporto (Seed) confirmou que a unidade estadual foi desativada e informou que o prédio pertence ao município de Caracaraí. A Seed, informou por meio de nota que os estudantes da rede estadual foram transferidos devido ao número reduzido de matrículas. Os alunos passaram a ser atendidos pela Escola Estadual Darcy Ribeiro e pela Escola Estadual em Tempo Integral Professor Alan Kardec Dantas Haddad, ambas em São Luiz do Anauá. A secretaria afirmou ainda que os servidores que atuavam na unidade foram remanejados conforme a necessidade da rede estadual.
A reportagem procurou a Prefeitura de Caracaraí para esclarecer quantos estudantes da rede municipal são atendidos na comunidade, se as aulas presenciais estão suspensas, como está sendo cumprida a carga horária e se existe previsão para reforma do prédio. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.










