Amanhã, Roraima volta às urnas. E, para quem viveu esta eleição não apenas como eleitor, mas diariamente dentro de uma redação, é impossível chegar a este momento sem refletir sobre o caminho percorrido.
Foi uma campanha diferente de todas as outras. Tivemos uma eleição suplementar em junho, disputas judiciais, incertezas, uma nova campanha poucos meses depois e, no meio de tudo isso, uma avalanche de versões jurídicas, acusações, narrativas e informações falsas ou distorcidas circulando principalmente pelas redes sociais.
O Roraima 1 atravessou todo esse período fazendo escolhas editoriais. E eu também fiz as minhas.
Escolhemos publicar o que entendíamos ser relevante. Escolhemos confrontar versões com documentos, decisões judiciais, dados oficiais e o contraditório. Escolhemos abrir espaço para fatos que, muitas vezes, encontravam silêncio onde deveria haver questionamento.
Isso certamente desagradou pessoas e grupos políticos. Jornalismo que não desagrada ninguém provavelmente também não incomoda quem gostaria de agir sem ser questionado.
Em alguns momentos, fomos acusados de tomar partido simplesmente porque fizemos contraponto a determinadas narrativas. Mas existe uma diferença importante entre tomar partido e não aceitar passivamente uma informação que pode ser verificada.
Notícia é notícia, opinião é opinião. No Roraima 1, procuramos deixar essa separação clara. Quando informamos, temos o compromisso de apresentar fatos, ouvir os envolvidos e permitir que o leitor forme sua própria conclusão. Quando eu opino, assino aquilo que penso e assumo a responsabilidade pelas minhas palavras.
E considero importante dizer isso às vésperas da eleição: a minha opinião também tem valor. Ser jornalista não me retira o direito de interpretar a realidade, de discordar, de questionar ou de me posicionar. Ao contrário: depois de anos acompanhando a política de Roraima, conhecendo seus personagens, observando governos, campanhas, promessas e contradições, seria estranho fingir que não tenho opinião.
O que não posso (e não quero) é disfarçar opinião de notícia. Quando escrevo um artigo como este, o leitor sabe que está lendo a visão de Rubens Medeiros. Pode concordar comigo, discordar completamente, criticar ou apresentar outro ponto de vista. É assim que deve ser.
O que não considero aceitável é exigir silêncio de um jornalista simplesmente porque a opinião dele contraria interesses.
Nesta campanha, houve momentos em que falar significou ficar praticamente sozinho. Houve injustiças que poderiam ter passado sem contraponto. Houve versões repetidas tantas vezes que corriam o risco de ganhar aparência de verdade apenas pela repetição. E houve quem preferisse o conforto do silêncio.
Nós escolhemos outro caminho. O Roraima 1 não será lembrado como um veículo que procurou descobrir de que lado soprava o vento antes de publicar uma notícia. Quero que seja lembrado como um portal que teve disposição para fazer perguntas quando elas precisavam ser feitas, inclusive quando isso tinha custo.
Também não acredito em jornalismo feito para destruir reputações ou fabricar heróis. Nosso compromisso deve continuar sendo com aquilo que pode ser demonstrado.
Amanhã, entretanto, o protagonismo deixa definitivamente as redações, os candidatos, os institutos de pesquisa, os grupos de WhatsApp e as redes sociais. Passa para o eleitor. Cada cidadão entrará sozinho diante da urna. Nenhum jornalista estará ali. Nenhum candidato estará ao lado. Nenhum influenciador poderá apertar os números por ele.
E talvez essa seja uma das maiores virtudes da democracia: depois de meses de discursos, acusações, pesquisas, notícias, opiniões e disputas de narrativa, a decisão pertence exclusivamente ao eleitor.
O Roraima 1 cumpriu o papel que escolheu exercer nesta campanha: informar, questionar, confrontar versões e não aceitar que o silêncio fosse nossa resposta diante daquilo que entendíamos precisar ser dito.
Amanhã, cada roraimense fará a sua como cidadão. E, qualquer que seja o resultado das urnas, uma coisa não muda: quando a eleição terminar, o jornalismo precisa continuar.
Fiscalizando quem vencer. Cobrando as promessas feitas durante a campanha. Dando voz a quem precisar ser ouvido. Corrigindo informações falsas, independentemente de quem seja beneficiado ou prejudicado pela verdade.
Governos passam, campanhas acabam e os candidatos vencem ou perdem. A credibilidade que construímos diante do leitor é o que fica. E essa, para mim, é a eleição que uma redação disputa todos os dias.










