Reduzir filas por consultas, exames e cirurgias e ampliar o atendimento fora de Boa Vista estão entre os principais compromissos dos candidatos ao Governo de Roraima para a Saúde. O Roraima 1 analisou os planos de governo de Arthur Henrique (PL), Soldado Sampaio (Republicanos), Rosi Aires (PSOL) e Farah Mesquita (Solidariedade) para identificar o que cada candidatura propõe para a rede estadual.

Os quatro programas convergem em alguns pontos, principalmente na necessidade de ampliar o atendimento no interior e reduzir a espera por procedimentos. Os caminhos apresentados, no entanto, são diferentes.

As propostas incluem desde fila única digital e divulgação pública do tempo de espera até recuperação de hospitais, policlínicas regionais, novas unidades, telemedicina, mutirões permanentes e expansão da assistência em saúde mental.

Arthur Henrique (PL). Foto: Câmara Municipal de Boa Vista.

Arthur propõe ampliar HGR, divulgar tempo de espera e recuperar hospitais do interior

Arthur Henrique (PL) coloca a redução das filas, a regionalização do atendimento e mudanças na gestão hospitalar entre os principais pontos do plano para a Saúde.

No Hospital Geral de Roraima (HGR), o candidato pretende concluir e colocar em funcionamento a ampliação em andamento, que deve acrescentar cerca de 180 leitos. O plano identifica a falta de leitos de retaguarda para o pós-operatório como um dos gargalos para a realização de cirurgias.

Arthur também propõe instalar temporariamente o gabinete do governador dentro do HGR nos primeiros meses de mandato. A medida, segundo o documento, permitiria acompanhar diretamente decisões relacionadas a leitos, escalas e regulação.

Para enfrentar as filas, cada unidade da rede estadual passaria a medir e divulgar o próprio tempo de espera. A proposta inclui um painel público integrado à Central Estadual de Regulação de Leitos.

Os mutirões de cirurgias eletivas seriam transformados em política permanente, com prioridade definida pelo tempo de espera e pela gravidade clínica do paciente.

No interior, Arthur propõe recuperar hospitais e ampliar a capacidade de atendimento com apoio de tecnologia e telemedicina. O plano cita os hospitais Délio de Oliveira Tupinambá, em Pacaraima; Ruth Quitéria, em Normandia; e Epitácio de Andrade Lucena, em Alto Alegre.

Também estão previstos o fortalecimento e a compra de equipamentos para o Hospital Governador Ottomar de Souza Pinto, em Rorainópolis, e para a Maternidade Thereza Monay Montessi.

O candidato propõe ainda ampliar a Estratégia Saúde da Família em parceria com os municípios, integrar os serviços de ambulância e garantir distribuição regular de medicamentos para o interior.

Na saúde da mulher, Arthur prevê uma frota estadual própria de unidades móveis equipadas com mamografia digital, ultrassonografia e capacidade para realização de biópsias. A proposta é estabelecer uma rota anual pelos 15 municípios e integrar o serviço à regulação estadual. Pacientes com alterações nos exames seriam encaminhadas para continuidade do atendimento.

Outra proposta é estadualizar o Bem-Te-Vi, programa de saúde ocular implantado em Boa Vista. A iniciativa prevê triagem, consultas e distribuição de óculos para crianças e adolescentes, incluindo estudantes de escolas indígenas, do campo e da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

O plano inclui ainda concurso público para a Saúde, carretas com atendimento médico e odontológico nos municípios e um plano específico para a saúde indígena em articulação com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e lideranças das comunidades.

Na área tecnológica, Arthur propõe ampliar a telemedicina e o prontuário eletrônico e levar internet de alta velocidade a todas as unidades de saúde até 2030.

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Soldado Sampaio (Republicanos) Foto: Reprodução/Redes sociais

Sampaio quer dividir Roraima em regiões de Saúde e criar fila única

Soldado Sampaio (Republicanos) concentra a reorganização da rede na regionalização dos serviços. O plano prevê dividir Roraima em quatro regiões de Saúde: Metropolitana, Sul, Norte e Indígena e Áreas Remotas.

A Região Metropolitana concentraria serviços de alta complexidade, como trauma, neurocirurgia, oncologia e UTIs especializadas. No Sul, a proposta é ampliar especialidades, exames de média complexidade e pequenas cirurgias.

A Região Norte teria atendimento especializado, teleassistência e suporte remoto. Para áreas indígenas e localidades de difícil acesso, estão previstos atendimento itinerante, unidades móveis, telemedicina e integração entre Estado e Sesai.

Sampaio também propõe uma nova Central Estadual de Regulação, com fila única estadual, classificação por risco, prontuário integrado, agendamento digital e monitoramento em tempo real.

O programa prevê policlínicas regionais com serviços de cardiologia, endocrinologia, ortopedia, ginecologia e pediatria especializada, além de exames, fisioterapia e pequenas cirurgias eletivas.

Outra medida é criar uma rede estadual de transporte sanitário para pacientes regulados, com vans, ambulâncias regionais e rotas para consultas e exames.

A telemedicina seria utilizada para conectar os municípios a especialistas em áreas como cardiologia, neurologia, psiquiatria, dermatologia e pediatria.

Para reduzir as filas, o candidato propõe mutirões permanentes de cirurgias, consultas especializadas e exames. O plano também prevê ampliar a cobertura vacinal e reduzir a mortalidade infantil, com atenção especial aos primeiros mil dias de vida.

Entre as estruturas previstas estão policlínicas regionais, uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Rorainópolis, unidade móvel para exames da saúde da mulher e outro Centro de Referência da Saúde da Mulher em Boa Vista.

O programa também prevê regionalizar o próximo concurso público da Saúde, com incentivos para a permanência de profissionais no interior.

Rosi Aires (Psol). Foto: Divulgação

Rosi propõe policlínicas, Hospital Indígena e expansão dos CAPS

Rosi Aires (PSOL) também coloca a descentralização do atendimento entre as principais propostas para a Saúde.

O programa prevê mutirões permanentes de consultas, exames e cirurgias eletivas e a implantação de policlínicas regionais no Sul do Estado e na zona Oeste de Boa Vista.

A candidata também propõe ampliar a Estratégia Saúde da Família e fortalecer a rede pública de atendimento.

Entre as novas estruturas previstas estão um Hospital Indígena em Uiramutã e uma maternidade no bairro Pintolândia, em Boa Vista.

A saúde mental recebe atenção específica no programa. Rosi estabelece como meta quadruplicar o atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e criar uma rede de cuidado destinada também a estudantes, professores, policiais e servidores públicos.

O plano inclui um painel público para acompanhamento das filas de consultas, exames e cirurgias.

Na relação com a rede privada, a candidata propõe revisar convênios com clínicas particulares. Também prevê fortalecer a participação do Conselho Estadual de Saúde.

Para os profissionais, aparecem propostas de planos de carreira, formação, melhores condições de trabalho e realização de novos concursos públicos.

Na saúde indígena e de fronteira, Rosi prevê atuação conjunta com o governo federal e os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), envolvendo vigilância, nutrição, saneamento e logística.

farah mesquita
Farah Mesquita (SD). Foto: Divulgação

Farah propõe central digital de leitos, telemedicina e metas para reduzir filas

Farah Mesquita (Solidariedade) concentra parte das propostas na redução do tempo de espera dos pacientes e na melhoria da estrutura hospitalar.

O programa prevê um Mutirão Permanente de Consultas e Cirurgias, com metas periódicas para redução das filas.

Para o interior, a candidata propõe modernizar hospitais regionais, com reformas, aquisição de equipamentos e ampliação de leitos.

A telemedicina seria utilizada para conectar pacientes dos municípios aos especialistas e reduzir a necessidade de deslocamentos até Boa Vista.

Na regulação, Farah propõe uma Central Estadual de Regulação de Leitos informatizada, com acompanhamento em tempo real da disponibilidade de vagas.

O programa também prevê capacitação permanente dos profissionais, melhoria das condições de trabalho e modernização das unidades hospitalares.

Na atenção à mulher e à criança, estão previstas ampliação do pré-natal, atendimento humanizado e programas de acompanhamento infantil.

O plano também propõe ampliar as campanhas de prevenção, levar atendimento itinerante às comunidades e fortalecer a assistência às populações indígena e rural.

Na saúde mental, a candidatura prevê ampliar a rede de CAPS, além de desenvolver ações de prevenção ao suicídio e de enfrentamento à dependência química.

Filas e atendimento no interior aparecem no centro dos planos

A interiorização da Saúde é um dos principais pontos em comum entre as quatro candidaturas, embora cada plano apresente um modelo diferente.

Arthur propõe recuperar hospitais do interior, ampliar a telemedicina, garantir medicamentos e integrar os serviços de ambulância. Sampaio pretende organizar Roraima em quatro regiões de Saúde, com policlínicas e diferentes níveis de atendimento. Rosi prevê policlínicas regionais e um Hospital Indígena em Uiramutã. Farah propõe modernizar hospitais regionais e utilizar a telemedicina para aproximar especialistas dos pacientes do interior.

As filas também aparecem nos quatro programas. Arthur propõe divulgar o tempo de espera de cada unidade e tornar permanentes os mutirões de cirurgias eletivas. Sampaio prevê uma fila única estadual com acompanhamento digital. Rosi propõe mutirões permanentes e um painel público das filas. Farah também aposta em mutirões, associados a metas de redução da espera.

Há ainda propostas específicas que diferenciam os programas. Arthur detalha a ampliação do HGR, unidades móveis para a saúde da mulher, recuperação de hospitais específicos e estadualização do Bem-Te-Vi. Sampaio apresenta um modelo de quatro regiões sanitárias, transporte sanitário regionalizado e policlínicas. Rosi estabelece como meta quadruplicar o atendimento dos CAPS e prevê novas estruturas, como o Hospital Indígena. Farah destaca a regulação digital dos leitos, modernização hospitalar e atendimento itinerante.

Os planos de governo mostram que reduzir a dependência de Boa Vista e diminuir o tempo de espera por atendimento são problemas reconhecidos pelas quatro candidaturas. As diferenças aparecem principalmente na forma como cada uma pretende reorganizar a rede estadual e nas estruturas escolhidas para executar essas propostas.

ReportagemRedação

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