A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou, durante coletiva de imprensa realizada na manhã deste sábado (5), no hotel Aipana Plaza, em Boa Vista, que o Senado Federal realizará uma diligência oficial à Terra Indígena Yanomami logo após as eleições. O objetivo principal da comitiva, que poderá reunir até 33 parlamentares, é auditar a aplicação de R$ 2,1 bilhões em verbas extraordinárias destinadas pelo Governo Federal para o enfrentamento da emergência sanitária na região.
Atualmente, a parlamentar é presidente da Subcomissão Permanente dos povos indígenas Yanomami, criada com objetivo de acompanhar, fiscalizar e aprimorar as políticas públicas voltadas aos povos indígenas que vivem no território.
Segundo anunciou, a comissão externa já aprovou o requerimento por unanimidade e negocia o apoio logístico da Força Aérea Brasileira (FAB) para transportar os senadores e deputados até os polos de atendimento na reserva. A fiscalização in loco vai apurar a persistência dos casos graves de malária, desnutrição, assassinatos durante conflitos e a distribuição de alimentos.
“Nós queremos prestação de contas de cada centavo. As medidas provisórias que foram enviadas para a área Yanomami totalizaram R$ 2,1 bilhões. E nós queremos entender por que os nossos Yanomamis continuam com fome, morrendo, com malária, com desnutrição e assassinados, com tanto dinheiro que foi destinado para o território”, declarou a parlamentar à imprensa.
A senadora questionou a centralização dos recursos em órgãos federais e defendeu que a gestão direta pelo Governo de Roraima ou municípios poderia garantir maior eficiência na aplicação dos investimentos básicos.
“Imaginem esse dinheiro na mão do Estado e o Estado podendo gerenciar para cuidar dos povos. Mas a política fala que é Funai, Sesai e outros órgãos. Esse dinheiro ficou só nos órgãos federais. Queremos entender para onde foram esses recursos”, completou.
“Brasil está entregue ao narcotráfico”, diz senadora ao defender Congresso técnico
Ainda urante a coletiva, Damares traçou um diagnóstico crítico da segurança pública e da economia no país. A senadora afirmou que o momento atual exige maturidade política nas urnas nas próximas eleições para compor bancadas experientes na Assembleia Legislativa, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
“O Brasil está entregue ao narcotráfico, nós nos tornamos um narcoestado. Economicamente o Brasil não está bem, nós estamos no pior momento na área da segurança e da economia. O tempo do grito já passou e não resolveu nada, agora é articulação e entregas”, discursou.
Damares também defendeu a necessidade de eleger bancadas alinhadas e com diálogo para garantir estabilidade institucional. A parlamentar ressaltou que sua atuação no Senado migrou de um tom ostensivo para articulações estratégicas e citou a recente aprovação do seguro rural no Congresso para mitigar os prejuízos de produtores agrícolas com o fenômeno climático El Niño.
Processo contra Moraes e bastidores em Brasília
Acompanhada da senadora Roberta Acioly (Republicanos-RR), Damares comentou a movimentação no Congresso sobre os pedidos de impeachment do ministro do STF, Alexandre de Moraes, e do Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet.
As duas senadoras presentes na mesa assinam a peça formulada pela oposição. A parlamentar declarou que o processo depende de rito regimental e não deve ser votado no plenário do Senado ainda este ano.
“O pedido de impeachment tem um rito. O último que o Brasil viveu demorou cerca de um ano e um mês. Nós não temos tempo este ano. Quando voltarmos das eleições teremos novembro e dezembro, o que não é suficiente para cumprir o rito de prazos de defesa e oitiva de testemunhas”, explicou.
A senadora também saiu em defesa do ministro André Mendonça após a inclusão do magistrado em desdobramentos de inquéritos no Supremo, classificando a decisão de Moraes como uma demonstração de “perseguição e imaturidade”.
Empreendedorismo feminino e suporte familiar em pauta

As candidatas do partido também responderam a questionamentos da imprensa sobre políticas públicas para o eleitorado feminino. A senadora Roberta Acioly defendeu que a expansão de creches em tempo integral no estado é a medida principal para garantir a inserção e permanência das mães no mercado de trabalho.
“Para a gente dar esse apoio às mulheres e inseri-las no mercado de trabalho, elas precisam de reforço com os filhos, sabendo que as crianças estão acolhidas e seguras”, afirmou a candidata a deputada federal.
Na mesma linha, a candidata a deputada estadual Darbi de Jesus citou ações desenvolvidas pelo partido em Roraima, que combinam orientação contra a violência doméstica, cuidados com a saúde e fomento ao empreendedorismo como ferramenta de independência financeira.
“Quando você cuida de uma mulher, você cuida de uma família inteira. Onde houver pauta feminina, estaremos levantando essa bandeira”, disse Darbi.
A comitiva da senadora Damares cumpre agenda de rua em Boa Vista ao longo do fim de semana, com panfletagens, reuniões com lideranças evangélicas, encontros com o setor empresarial e participação em eventos sociais na capital.










