A Justiça Federal em Roraima aceitou denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra dois homens acusados de pilotar aviões clandestinas para abastecer o garimpo ilegal de ouro e cassiterita na Terra Indígena Yanomami. O flagrante ocorreu no município de Iracema, durante a Operação Yanomami.
A dupla foi abordada por agentes do Ibama e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na “Pista do Marcinho” enquanto se preparava para descarregar 800 litros de combustível de dois aviões Cessna Skylane. Os veículos foram adaptados de forma precária para transporte de carga, com a remoção dos bancos e reforço do assoalho.
Dados de GPS mostraram que as aeronaves decolaram da Venezuela na mesma manhã e realizaram pousos em garimpos dentro do território indígena antes da abordagem.
Clonagem e irregularidades aéreas
Para fugir do controle aéreo, os acusados adulteraram os prefixos pintados na lataria dos aviões. Ambas as aeronaves operavam com certificados de aeronavegabilidade cancelados e sem plano de voo registrado no Cindacta-IV.
Em uma das cabines, os agentes apreenderam um revólver calibre .38 sem registro. O piloto admitiu que usava a arma para proteção durante os voos ao garimpo.
O MPF pede a condenação dos acusados por usurpação de bens da União, crimes ambientais, invasão de terras públicas, adulteração de sinal de aeronave, atentado contra a segurança do transporte aéreo e porte ilegal de arma. O órgão requer também o perdimento dos aviões e a cobrança de R$ 50 mil de cada réu por danos morais coletivos.










