A safra de castanha-do-brasil do povo Wai Wai voltou à média anual em 2026 após a produção ter sido afetada pela seca na Amazônia no ano passado. Neste ano, os indígenas coletaram aproximadamente 3,3 mil hectolitros, o equivalente a 175 toneladas, principalmente em território localizado no sul de Roraima.
Parte da produção já foi comercializada. Três associações indígenas fecharam acordo com a Mutran Exportadora para a venda de 635 hectolitros de castanha. Segundo o Instituto Socioambiental (ISA), a negociação beneficia ao menos 220 famílias.
Participaram do acordo a Associação do Povo Indígena Wai Wai (APIW), a Associação Indígena Wai Wai da Amazônia (AIWA) e a Associação dos Povos Indígenas Wai Wai (APIWX), que reúnem indígenas das Terras Indígenas Wai Wai e Trombetas Mapuera, localizadas em áreas de Roraima, Pará e Amazonas.
Parte da entrega da produção foi concluída na primeira quinzena de julho.
“A venda da nossa produção para a Mutran foi muito importante para o povo Wai Wai. A maioria do nosso povo é extrativista de castanha, então nos beneficiou muito”, afirmou Reginaldo Wai Wai, vice-presidente da AIWA e morador da comunidade indígena Anauá, em São João da Baliza.
Além da comercialização, a castanha faz parte da alimentação tradicional dos Wai Wai. Nas comunidades, o produto é utilizado na preparação de alimentos como beiju, mingau e farinha de castanha, conhecida como Mawkin.
Negociação começou em 2025
As negociações envolvendo as três associações, o Instituto Socioambiental (ISA) e o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) começaram em novembro de 2025. O acordo sobre o valor pago por hectolitro foi alcançado em abril deste ano.
Segundo o analista do ISA Marcolino da Silva, a negociação considera as particularidades do manejo e da logística para retirada da produção das comunidades.
“Esta negociação prioriza o manejo sustentável e o fortalecimento das cadeias produtivas da sociobiodiversidade. O acordo com a Mutran reflete tanto a viabilidade financeira quanto o compromisso com os valores socioambientais, agregando valor à cadeia da castanha”, afirmou.
O transporte da castanha envolve pequenas embarcações pelos igarapés e deslocamentos por terra. Em alguns casos, são necessárias viagens de até cinco dias para chegar às comunidades.
Após ser retirada das áreas de produção, a castanha é transportada até São João da Baliza, no sul de Roraima, e depois segue para o porto de Manaus.
De acordo com o ISA, a empresa compradora avaliou a produção como de excelente qualidade. Antes da comercialização, as castanhas passam por etapas de beneficiamento, seleção e controle de qualidade realizadas pelos extrativistas.
Safra de 2025 foi afetada pela seca
A produção de aproximadamente 3,3 mil hectolitros representa uma recuperação em relação a 2025. Segundo o ISA, naquele ano os Wai Wai enfrentaram uma quebra da safra de castanha em meio à emergência climática e à seca que atingiu a Amazônia.
A situação afetou diretamente uma das atividades econômicas desenvolvidas pelas comunidades.
Apesar da recuperação em 2026, a produção dos próximos anos ainda é considerada incerta diante das mudanças nas condições climáticas. As próximas florações dos castanhais são esperadas para outubro.
O povo Wai Wai vive nas Terras Indígenas Wai Wai e Trombetas Mapuera, em áreas de Roraima, Amazonas e Pará, além da Guiana.










