Lethem
Foto: Marcos Tosi / Gazeta do Povo

A pavimentação da rodovia entre Lethem e Georgetown, na Guiana, poderá criar uma nova rota para o transporte de grãos, fertilizantes e outros produtos de Roraima até o oceano Atlântico. A estimativa de representantes do setor produtivo é que o trajeto reduza em até oito dias o tempo de deslocamento das cargas até o Canal do Panamá.

Um grupo formado por cerca de 20 empresários brasileiros visitou a Guiana para acompanhar as obras e avaliar oportunidades comerciais. A comitiva foi organizada pela Associação dos Produtores de Soja de Roraima e reuniu representantes do agronegócio, do transporte e do comércio de máquinas agrícolas. As informações são de reportagem da Gazeta do Povo.

A rodovia possui aproximadamente 680 quilômetros entre a fronteira brasileira e Georgetown. Cerca de um terço do percurso está asfaltado, enquanto aproximadamente 450 quilômetros ainda são de terra e enfrentam dificuldades de tráfego durante o período de chuvas.

Um trecho de cerca de 120 quilômetros está próximo de ser concluído pela construtora brasileira Ayala, ligada à antiga Queiroz Galvão. Outros lotes ainda deverão passar por processos de licitação.

Segundo o presidente da Aprosoja Roraima, Murilo Ferrari, a ligação terrestre poderá diminuir a dependência do transporte de cargas pelo Amazonas.

“A rodovia e os portos que os guianenses estão construindo são o nosso futuro, porque, aqui em Roraima, ainda sofremos muito com a logística, e tudo o que a gente importa e exporta é feito pelo rio Amazonas, por balsa, e acaba sendo muito oneroso”, afirmou.

Atualmente, parte das cargas produzidas em Roraima segue até Manaus e depois é transportada por via fluvial. Com a conclusão da estrada, os produtos poderiam seguir por caminhão até Georgetown e, de lá, ser embarcados para outros países.

O secretário de Atração de Investimentos de Roraima, Aluizio Nascimento da Silva, estima que uma carreta poderá percorrer o trecho entre Boa Vista e o litoral da Guiana em aproximadamente 12 horas.

Segundo ele, a rota poderá ser utilizada tanto para a exportação de soja e milho quanto para a importação de fertilizantes. A projeção apresentada pelo secretário é que até um terço das cargas atualmente encaminhadas por Manaus possa migrar para a Guiana após a conclusão da rodovia.

As estimativas de redução de tempo e custos foram apresentadas por empresários e representantes públicos durante a visita e dependem da conclusão da estrada, da estrutura dos portos e da regulamentação do transporte internacional.

Transporte ainda depende de acordo bilateral

Além das obras, a integração logística enfrenta a falta de um tratado que permita a circulação direta de caminhões entre Brasil e Guiana.

Veículos de carga brasileiros não podem trafegar no território guianense, assim como caminhões da Guiana não estão autorizados a circular no Brasil. Por isso, as mercadorias precisam ser transferidas de um veículo para outro na fronteira.

Os dois países discutem um acordo para regulamentar o transporte rodoviário internacional, mas ainda não há data para a conclusão das negociações.

O comércio entre Roraima e Guiana aumentou nos últimos anos. Conforme dados apresentados pela Secretaria de Atração de Investimentos, as exportações do estado para o país vizinho passaram de aproximadamente US$ 600 mil por ano, até 2019, para cerca de US$ 50 milhões anuais.

Entre os produtos comercializados estão alimentos, materiais de construção, máquinas e equipamentos.

Petróleo financia obras

Os investimentos em infraestrutura na Guiana aumentaram após a descoberta de reservas de petróleo pela ExxonMobil, em 2015. As jazidas são estimadas em cerca de 12 bilhões de barris.

Com população de aproximadamente 800 mil habitantes, o país produziu cerca de 900 mil barris de petróleo por dia em 2025, segundo os dados apresentados à comitiva brasileira.

Parte das receitas obtidas com a exploração do combustível tem sido destinada a obras públicas e a um fundo soberano criado para financiar projetos de longo prazo.

Apesar do aumento das receitas e da expansão da construção civil, a conclusão da rodovia entre Lethem e Georgetown ainda dependerá da execução dos novos lotes e da manutenção dos investimentos.

O jornalista responsável pela reportagem original viajou à Guiana a convite da Aprosoja Roraima.

FonteGazeta do Povo
ReportagemRedação

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