Durante cinco dias, 250 jovens indígenas de diferentes regiões se reuniram na comunidade Camará, na região do Baixo Cotingo, dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. O destino era o II Seminário Estadual sobre Saúde Mental e Bem Viver da Juventude Indígena, com o tema “Superando Meus Medos, Curando Minhas Dores”.
Ao longo da programação, participantes de diversas comunidades debateram temas relacionados à saúde mental, identidade cultural, fortalecimento das lideranças jovens, prevenção da violência e valorização dos saberes tradicionais como elementos fundamentais para o cuidado individual e coletivo.
A parceria entre o Conselho Indígena de Roraima (CIR) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) integra uma agenda de ações voltadas à promoção dos direitos de crianças, adolescentes e jovens indígenas em Roraima, com foco na participação social, na proteção integral e no fortalecimento das comunidades.
Para o Especialista em Assuntos Indígenas do UNICEF, Ícaro Lavoisier, a participação da organização no seminário reforça o compromisso de apoiar a juventude indígena na construção de respostas concretas para os desafios relacionados à saúde mental nos territórios e em contexto urbano.
“Participamos deste seminário para escutar e construir junto com os jovens indígenas, compreendendo seus desafios, valorizando suas iniciativas e identificando caminhos para fortalecer as respostas às demandas de saúde mental. Ao longo desse processo, buscamos aproximar parceiros como o Distrito Sanitário Indígena Leste, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas e outras instituições estratégicas, contribuindo para que esses jovens tenham acesso ao apoio de que necessitam. Nosso papel é fortalecer espaços de diálogo para que esses jovens tenham o apoio que precisam, não para falar por eles, mas para garantir que suas vozes cheguem onde precisam chegar”, afirmou.
O vice-tuxaua geral do Conselho Indígena de Roraima, Paulo Justino, ressaltou a importância de ampliar o debate sobre a saúde mental da juventude indígena e de construir respostas coletivas para os desafios enfrentados nos territórios.
“O desequilíbrio mental e a falta de assistência têm acarretado graves problemas para a gente. Por isso, estamos aqui com o objetivo de buscar soluções coletivas, fortalecendo a juventude e o movimento indígena para superar esse processo que estamos enfrentando juntos”, explicou.
O seminário terminou com a produção coletiva de um caderno de recomendações e de uma carta final, documentos que deverão orientar as ações do movimento de juventude indígena e de suas organizações parceiras. A coordenadora do Departamento da Juventude Indígena, Raquel Wapichana, resumiu o que espera que cada jovem carregue dali para frente.
“Queremos que os jovens saiam daqui com uma visão de futuro, que possam se tornar psicólogos, advogados, professores, lideranças e continuar fortalecendo a nossa luta dentro dos territórios. Também queremos que eles sejam multiplicadores desses conhecimentos, levando para suas comunidades informações que ajudem a enfrentar problemas como a depressão, a ansiedade e o suicídio.”, destacou.
O II Seminário Estadual sobre Saúde Mental e Bem Viver da Juventude Indígena foi organizado pelo Departamento da Juventude Indígena Gabriel Ferreira Rodrigues, do Conselho Indígena de Roraima (CIR) e recebeu apoio institucional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB).
Também apoiram o seminário o Conselho Regional de Psicologia 20a Região, Distrito Sanitário Especial Indígena Leste (DSEI-Leste), Diocese de Roraima, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI). Para essa ação, o UNICEF no Brasil contou com a parceria estratégica de Infinis – Instituto Futuro é Infância Saudável. Além disso, o UNICEF Brasil conta com a parceria de RD Saúde para a iniciativa Pode Falar.










