A Justiça de Roraima revogou a prisão preventiva da influenciadora Vitória Reis da Silva, presa durante a Operação Mantus, que investiga a divulgação de jogos de azar ilegais e suspeitas de lavagem de dinheiro em Boa Vista.
A decisão foi assinada pela juíza Daniela Schirato, da Vara de Entorpecentes e Organizações Criminosas, após manifestação favorável do Ministério Público.
“A manutenção da prisão preventiva, neste momento processual, mostra-se desproporcional em relação aos demais corréus investigados pelos mesmos fatos”, afirmou a magistrada em trecho da decisão. Ela também destacou que outros investigados já haviam obtido liberdade mediante medidas cautelares.
O Ministério Público sustentou que os elementos que justificaram a prisão já estariam neutralizados. Conforme o parecer citado na decisão, “os riscos que fundamentaram o decreto prisional — reiteração na divulgação digital e ocultação patrimonial — encontram-se plenamente neutralizados pelas cautelares reais e específicas já implementadas”.
Entre as medidas apontadas pelo MP estão o bloqueio de R$ 147.238,69 via SisbaJud, a suspensão do perfil da investigada nas redes sociais pelo prazo de um ano e o cumprimento de mandados de busca e apreensão. O parecer também registra que “a própria investigada disponibilizou acesso integral a seus dados digitais”.
Ao conceder a liberdade, a magistrada determinou uma série de medidas cautelares. Vitória Reis deverá usar tornozeleira eletrônica, está proibida de sair da comarca sem autorização judicial e terá recolhimento domiciliar noturno, das 22h às 6h.
A decisão também proíbe a influenciadora de acessar redes sociais “para fins de promoção de jogos de azar ou de quaisquer atividades objeto da investigação”, além de vedar a criação de novas contas em plataformas digitais.
Na decisão, a juíza ainda ressaltou que Vitória Reis é primária e possui vínculos em Boa Vista. O documento cita que ela é servidora pública municipal desde janeiro de 2024 e estudante do curso de Farmácia, fatores considerados relevantes para afastar risco de fuga.
Manifestação da defesa
Em nota, a defesa afirmou que a decisão reconheceu que “a manutenção da custódia cautelar se mostrava desproporcional neste momento processual” e destacou que o Judiciário entendeu que “as medidas cautelares diversas da prisão são suficientes para resguardar a instrução criminal”.
Os advogados também afirmaram que Vitória Reis responderá ao processo em liberdade “como sempre deveria ter sido” e que a defesa seguirá atuando “para demonstrar, no curso da instrução, que Vitória Reis não concorreu para os crimes que lhe são imputados”.
A operação
Vitória Reis foi presa no dia 27 de abril durante a Operação Mantus, da Polícia Civil de Roraima. A investigação aponta que influenciadores digitais utilizavam redes sociais para divulgar plataformas conhecidas como “jogo do tigrinho”. Segundo a polícia, o grupo investigado teria movimentado cerca de R$ 260 milhões em dois anos.










