A posse de Soldado Sampaio (Republicanos) no comando do Governo de Roraima e de Jorge Everton (União Brasil) na presidência da Assembleia Legislativa marcou não apenas uma transição institucional no estado, mas também revelou sinais antecipados de uma nova estratégia de disputa política no ambiente digital.
Reportagens de caráter estritamente informativo e descritivo sobre as cerimônias passaram a receber, de forma coordenada, uma enxurrada de comentários favoráveis ao novo governo, publicados por mais de uma centena de perfis fechados, com características típicas de automação e uso de robôs virtuais.
As mensagens, repetitivas e desconectadas do conteúdo jornalístico, simulavam um cenário de embate político que, na prática, não existia. Nem as matérias continham ataques ao novo governo, nem os espaços de comentários apresentavam críticas relevantes que justificassem respostas defensivas tão agressivas.
Entre as frases publicadas estavam expressões como “Falar é fácil, fazer é o desafio. Apoio total!”, “Menos torcida contra, mais união!”, “Aceitem que dói menos” e “O choro é livre, o trabalho continua”. “Criticar sem fundamento é oportunismo político”, “ignorem os haters”. Em comum, todas seguiam uma narrativa de enfrentamento contra opositores ou críticos inexistentes naquele contexto específico. Havia ali um total de zero críticas ou comentários negativos contra o político.
O comportamento chamou atenção justamente pela artificialidade: os comentários defendiam Soldado Sampaio de acusações que não estavam sendo feitas, criando uma percepção fabricada de perseguição política ou resistência ao novo governo.
A movimentação é indicativo de uma prévia do ambiente eleitoral que se aproxima em Roraima, marcado por estratégias digitais cada vez mais sofisticadas para influenciar narrativas públicas, ampliar sensação de apoio popular e neutralizar eventuais críticas antes mesmo que elas surjam organicamente.
Especialistas em comunicação política apontam que esse tipo de ação automatizada busca ocupar espaços de debate, manipular percepção social e transformar conteúdos neutros em arenas polarizadas, ainda que artificialmente.
No caso observado, o excesso e a desconexão dos comentários acabaram produzindo efeito contrário: em vez de fortalecer espontaneamente a imagem do novo governo, expuseram uma operação digital considerada desajeitada e visualmente evidente para leitores mais atentos.
A presença massiva de perfis falsos ou automatizados em conteúdos institucionais reforça preocupações sobre o uso político de ferramentas digitais na formação de opinião pública, especialmente em um cenário estadual que deve enfrentar novas disputas de poder nos próximos meses.
Confira alguns dos comentários dos perfis fechados e sem interação:
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