A Universidade Estadual de Roraima (UERR) emitiu um comunicado neste sábado (21) onde afirma que seu orçamento permaneceu praticamente inalterado entre 2025 e 2026, mesmo diante do crescimento superior a 12% nas receitas do Estado. De acordo com a instituição, enquanto o orçamento estadual salta de cerca de R$ 8,8 bilhões para R$ 9,9 bilhões (um aumento de mais de R$ 1,1 bilhão), os recursos destinados à universidade seguem na faixa de R$ 100 milhões.
Para a UERR, o cenário representa uma perda de participação relativa dentro do orçamento público estadual. A universidade sustenta que, embora não haja corte nominal, a manutenção dos valores em termos absolutos reduz sua capacidade proporcional de atuação.
Segundo dados apresentados pela própria instituição com base na execução orçamentária e no Portal da Transparência, aproximadamente 75% do orçamento é destinado à folha de pagamento, 20% ao custeio e apenas 5% a investimentos.
Na avaliação da universidade, essa estrutura rígida limita a margem de manobra financeira e faz com que eventuais restrições recaiam principalmente sobre áreas consideradas estratégicas.
A UERR afirma que a compressão orçamentária atinge despesas essenciais como energia elétrica, abastecimento de água, contratos terceirizados, manutenção predial e suporte tecnológico. Ainda segundo a instituição, isso pode resultar em redução de contratos, adiamento de manutenções e limitações operacionais.
No campo dos investimentos, a universidade sustenta que recursos para obras, infraestrutura, aquisição de equipamentos laboratoriais, inovação tecnológica e projetos estruturantes operam em níveis mínimos, o que comprometeria iniciativas de expansão e modernização, incluindo a interiorização.
A instituição também destaca que a recente disponibilização do seu Portal da Transparência amplia o controle social, mas evidencia que a limitação estaria concentrada no volume de financiamento disponível.
Para a UERR, a estagnação orçamentária em um contexto de expansão das receitas estaduais reacende o debate sobre o papel da universidade no projeto de desenvolvimento de Roraima e sobre a prioridade dada à educação superior pública no planejamento estadual.
Polêmicas recentes
Nos últimos meses, a universidade tem sido alvo de fortes críticas relacionadas à gestão do ex-reitor Regys Odlare Lima de Freitas, que responde a denúncias de supostos desvios de recursos públicos. O Ministério Público do Estado de Roraima pediu o bloqueio cautelar de até R$ 127,6 milhões em bens e valores de Freitas e outros réus, como parte de uma ação que aponta fraudes em licitações e peculato contra a UERR, (com prejuízos que, atualizados, podem chegar a dezenas de milhões), para garantir a possibilidade de ressarcimento ao erário caso a denúncia seja confirmada pela Justiça.
Outra polêmica envolve o desempenho do curso de Medicina da universidade. Na avaliação realizada pelo Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2025, o curso recebeu conceito 2, considerado insatisfatório pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com pouco mais da metade dos estudantes alcançando o desempenho mínimo esperado. Essa avaliação coloca a UERR entre os cursos que podem sofrer sanções ou redução de vagas e alimenta debate sobre a qualidade do ensino oferecido.








