Foto: Luis Oliveira/Ministério da Saúde

Mesmo após operações que reduziram a presença do garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, a malária continua em níveis preocupantes em Roraima, mantendo-se como uma das principais ameaças à saúde das comunidades indígenas no estado.

Três anos depois da decretação da emergência de saúde pública, os casos da doença seguem em patamar epidêmico, especialmente em áreas de difícil acesso da Terra Yanomami. Especialistas apontam que a retirada dos garimpeiros, embora fundamental para conter a degradação ambiental e a violência, não foi suficiente para eliminar os fatores que sustentam a transmissão da doença.

De acordo com dados da saúde indígena, milhares de casos de malária ainda são registrados anualmente em Roraima, com alta incidência entre crianças. Em algumas regiões, o número de diagnósticos supera a própria população local, devido à reinfecção frequente.

Entre os principais fatores que mantêm o avanço da doença estão os passivos ambientais deixados pelo garimpo, como áreas alagadas que servem de criadouro para o mosquito transmissor, além das dificuldades logísticas para diagnóstico e tratamento rápidos. Em comunidades isoladas, exames podem levar semanas para serem processados, atrasando o início do tratamento e ampliando a circulação do parasita.

A extensão do território e o acesso predominantemente aéreo ou fluvial também dificultam a presença contínua de equipes de saúde. A interrupção no atendimento favorece a reincidência da doença, mesmo entre pacientes que já passaram por tratamento.

Autoridades de saúde reconhecem que houve redução na mortalidade por malária após o reforço das ações emergenciais, mas alertam que o controle definitivo da doença em Roraima depende de medidas permanentes, como vigilância epidemiológica contínua, recuperação ambiental das áreas degradadas e a manutenção de equipes de saúde nas aldeias.

Apesar do cenário, Roraima registrou uma redução significativa de 45,2% nos casos de malária no primeiro trimestre de 2025, impulsionada pela diminuição de garimpos ilegais. O estado é um dos principais focos de malária na Amazônia, com a maioria dos casos concentrados em áreas indígenas, totalizando cerca de 30.600 casos em 2024 e alta correlação com atividades de mineração ilegal.

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