yanomami
Foto: Ministério dos Povos Indígenas

A comunidade de Sikamabiu, na região do Baixo Mucajaí, em Roraima, passou a contar com uma unidade demonstrativa de soberania alimentar implantada pelo Governo Federal em uma área anteriormente degradada pelo garimpo ilegal. A iniciativa atende cerca de 30 famílias, reunindo aproximadamente 400 indígenas, e integra ações de produção sustentável de alimentos e recuperação ambiental.

A unidade de Sikamabiu é a primeira de uma série de oito previstas para serem implantadas na Terra Indígena Yanomami ainda em 2026. Segundo a pesquisadora da Embrapa Roraima Rosemary Vilaça, que atua no território desde 2022, a implantação representa uma mudança estrutural na região.

“O impacto desta ação é muito grande. A unidade modelo é um marco dentro do território. Onde já corremos o risco de levar tiro de garimpeiro, levamos estrutura e ferramentas para a conquista da soberania alimentar”, disse.

A estrutura instalada na comunidade inclui aviário com 100 galinhas rústicas, viveiro de mudas nativas com capacidade para até 2 mil mudas, tanque de compostagem, roças com plantio de mandioca, batatas, arroz e outras culturas, sistemas agroflorestais e um tanque escavado de piscicultura com área de 440 metros quadrados.

No contexto da piscicultura, dois açudes anteriormente utilizados pelo garimpo ilegal foram incorporados ao sistema produtivo após análises ambientais. De acordo com a pesquisadora da Embrapa, não foi identificada contaminação por mercúrio.

“Claro que fizemos os testes nesses açudes para garantir que não estão contaminados. Nas checagens, não se observou a presença de mercúrio”, pontuou.

Somados ao tanque principal, os reservatórios abrigam 4 mil alevinos. A comunidade também recebeu outros 10 tanques elevados, com mais 4 mil alevinos de tambaqui, totalizando 8 mil peixes destinados à produção de proteína para consumo local.

Segundo a secretária nacional de Aquicultura do Ministério da Pesca e Aquicultura, Fernanda Gomes de Paula, o período mínimo considerado seguro para a retirada dos peixes é de três meses. Ela destacou que o objetivo é garantir autonomia às comunidades indígenas por meio da capacitação técnica.

“Os indígenas serão os responsáveis pela criação, por isso a parceria com o IFRR, que os prepara tecnicamente para o trabalho. Essa capacitação ocorre dentro do próprio território, assim estamos dando autonomia para essas comunidades”, disse.

Ao todo, 34 indígenas foram formados pelo Instituto Federal de Roraima para atuar no manejo aquícola em Sikamabiu. A estimativa dos técnicos envolvidos no projeto é que a produção combinada de peixes e aves alcance cerca de 1 tonelada de proteína animal até o final de 2026.

O investimento direto na unidade foi de R$ 90 mil, com recursos do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. O valor integra um Termo de Execução Descentralizada firmado com a Embrapa Roraima, que prevê R$ 1,8 milhão para a implantação de novas unidades no território yanomami.

Além de Sikamabiu, o projeto prevê a implantação de unidades em comunidades localizadas nas regiões de Surucucu, Homoxi, Xitei, Lasasi, Ajarani, Olomai e Uxiu. Técnicos da Embrapa informaram que ao menos outras 11 comunidades já manifestaram interesse em receber a iniciativa.

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