Mandatos parlamentares não se medem por discursos ocasionais, presença em eventos ou volume de recursos gastos. Eles se avaliam por posicionamentos claros, entregas concretas e capacidade de representar o eleitorado nos momentos em que o país exige definição. Sob esse critério, a atuação do deputado federal Gabriel Mota tem se mostrado, no mínimo, decepcionante.
Um exemplo emblemático ocorreu em votações sensíveis na Câmara dos Deputados, especialmente na análise de propostas relacionadas à dosimetria penal aplicada aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Enquanto o Congresso se dividia em um debate central para a democracia brasileira, Gabriel Mota foi registrado como ausente. A ausência não passou despercebida e gerou críticas de setores que esperavam um posicionamento claro sobre um tema de enorme repercussão nacional. Em política, o silêncio também é uma escolha, e, nesse caso, foi interpretado como ligação ao governo Lula (PT). A postura foi lida como “rabo preso”, tendo em vista que o deputado possui indicações dentro do governo federal em Roraima.
Outro ponto que chama atenção é o uso elevado da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, o chamado cotão. Em 2024, Gabriel Mota foi o deputado que mais utilizou a verba em todo o Brasil, com gastos superiores a R$ 600 mil. Embora o uso da cota seja legal, a questão central é a relação entre custo e resultado. Um mandato que consome tantos recursos públicos deveria apresentar protagonismo legislativo, projetos estruturantes ou forte articulação política, o que não se verifica na prática.
A imagem do mandato também foi arranhada pela polêmica envolvendo a manutenção de uma servidora apontada como “funcionária fantasma” em seu gabinete. Reportagens e registros de frequência assinados pelo próprio parlamentar alimentaram o debate sobre a efetiva prestação de serviços da funcionária. Mesmo com negativas por parte do deputado, o episódio reforçou a percepção de fragilidade administrativa e desgaste ético, algo incompatível com o discurso de responsabilidade no uso do dinheiro público. Por uma dessas “coincidências” da vida, a servidora em questão é esposa do ex-deputado Jhonatan de Jesus, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Ao deixar a Câmara dos Deputados, ele abriu espaço justamente para o primeiro suplente – ele próprio, Gabriel Mota.
Há ainda exemplos de atuação limitada em pautas relevantes para o estado. Em discussões sobre indenizações de servidores federais que atuaram em áreas de fronteira, Gabriel Mota se posicionou por meio de pedidos e manifestações pontuais, sem avançar em soluções legislativas sólidas que garantissem segurança jurídica definitiva. Faltou articulação política mais ampla e iniciativa concreta para transformar o debate em resultado.
Quando se observa o conjunto da obra, o quadro se torna claro: trata-se de um mandato marcado por ausências em votações decisivas, alto consumo de recursos públicos, polêmicas administrativas evitáveis e baixa capacidade de entrega para Roraima. Em um estado que enfrenta desafios profundos: da infraestrutura precária à crise migratória, passando por saúde, educação e desenvolvimento econômico, a falta de protagonismo parlamentar tem consequências reais para a população.
O eleitor não cobra perfeição, mas espera coerência, presença e resultado. Até aqui, a atuação de Gabriel Mota não conseguiu justificar, politicamente, o espaço que ocupa no Congresso Nacional. E, em tempos de cobrança por eficiência e responsabilidade, mandatos ineficazes tendem a ser lembrados não pelo que fizeram, mas pelo que deixaram de fazer.








