Edilson Damião (Republicanos) e Antonio Denarium (PP), vice-governador e governador cassados, respectivamente. Foto: Divulgação/ Facebook/ Antonio Denarium

O vice-governador de Roraima, Edilson Damião (Republicanos), tem demonstrado resistência à possibilidade de Gerlane Baccarin (Progressistas) integrar como vice-governadora uma eventual chapa ao governo do Estado. Segundo interlocutores próximos, Damião teria desabafado que a composição com Gerlane dificultaria a construção de apoios políticos.

De acordo com esses relatos, o vice-governador avalia que o fato de Gerlane ser esposa do senador Hiran Gonçalves, não a credencia como politicamente experiente para o cargo, tampouco traz luz para novas (e urgentes) alianças políticas, comprometendo formações consideradas estratégicas.

Ainda conforme pessoas que acompanharam as conversas, Edilson Damião também teria feito críticas à atuação de Gerlane à frente do escritório de representação do Governo de Roraima em Brasília. O posto, que tem status de secretaria de governo, é comandado por ela desde o início da atual gestão. Na avaliação atribuída ao vice-governador, o órgão teria pouca efetividade prática e funcionaria mais como estrutura administrativa, sem resultados concretos perceptíveis, que possam ser usados como case de campanha.

Até outubro passado, o escritório do governo em Brasília empregava a mulher do deputado Arthur Lira (PP-AL), Ângela Lira, que atuou como secretária adjunta de Gerlane Bacarin, fato que chamou a atenção da imprensa nacional, pela falta de ligações da ex-servidora com o governo de Roraima. Virou “O departamento das esposas”, como apelidado por servidores do alto escalão do governo.

Ainda nos bastidores, Damião também teria citado o fato de um filho do senador Hiran também já ocupar cargo de alto salário no governo estadual, apontando a situação como politicamente sensível. Com a família do senador Hiran inteira empregada, além de correligionários diretos, fica difícil defender a nova chapa como sendo formada por pessoas bem intencionadas para o trato do dinheiro público.

Esse histórico, ainda segundo fontes próximas ao vice-governador, reforçaria a percepção de que a estrutura governamental acabou se consolidando como um “cabide de empregos” do PP, avaliação que tem pesado contra a eventual indicação de Gerlane para a chapa majoritária.

Diante desse cenário, Edilson Damião já teria manifestado preferência por uma chapa pura, com nomes do Republicanos, seu partido, nas vagas de governador e vice. A composição cogitada nos bastidores incluiria a concessão das duas vagas ao Senado ao Progressistas, como forma de manter a aliança sem abrir mão do controle da chapa ao Executivo estadual.

A costura política ainda inclui outro ponto sensível: uma das vagas ao Senado na composição pretendida seria destinada ao próprio governador Antonio Denarium, que articula disputar o cargo mesmo estando cassado, apostando na possibilidade de concorrer amparado por decisão liminar enquanto o caso segue em tramitação na Justiça.

Dentro dessa equação, o desafio colocado por aliados do vice-governador passa agora por convencer o senador Hiran Gonçalves de que o nome de sua esposa não é visto, no meio político, como uma alternativa viável para a chapa majoritária. A avaliação manifestada em conversas reservadas é de que Gerlane Baccarin não reúne aceitação suficiente entre lideranças políticas nem agrega eleitoralmente, o que poderia fragilizar a composição e dificultar a formação de uma aliança mais ampla para a disputa ao governo do Estado.

Apesar das resistências e divergências internas, interlocutores ressaltam que as negociações seguem em andamento e que, até a definição final das chapas, ajustes ainda podem ocorrer conforme o avanço das tratativas entre Republicanos e Progressistas. Outros nomes do PP devem ser apresentados por Edilson Damião ao próprio Denarium, como alternativa, caso não se chegue a um consenso.

Deixe seu comentário

Please enter your comment!
Please enter your name here