Uma investigação da Polícia Federal resultou na condenação de Jardel Neto Pereira da Cruz, de 28 anos, apontado como líder regional do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Roraima. Segundo o Ministério Público de Roraima, ele se autodeclarou integrante da facção e exercia funções de comando dentro da estrutura criminosa. A pena aplicada foi de oito anos de prisão.
A Polícia Federal descreveu que a facção deslocou Jardel de São Paulo para o Norte com o objetivo de ampliar a influência do grupo e reforçar o quadro de comando estadual. A função era definida como “Geral do Estado”, posição que coordena regras internas, punições e o fluxo de ordens entre os núcleos locais e a cúpula da organização criminosa.
Segundo o material produzido pela PF, Jardel seria responsável por negociar armas de fogo e drogas com integrantes do PCC e auxiliar decisões internas conhecidas como “Tribunal do Crime”, estrutura que delibera sobre conflitos disciplinares da facção.
Ao longo do processo que levou à condenação, o Ministério Público de Roraima afirmou que o investigado reconheceu o próprio vínculo com o PCC e se declarou como “companheiro” da organização. A denúncia assinada pelo promotor Carlos Alberto Melotto sustentou que a atuação era direcionada ao fortalecimento das lideranças estaduais.
Relação com delegada
Jardel namorava a delegada Layla Lima Ayub, que está presa desde sexta-feira (16), quando foi alvo da Operação Serpens, em São Paulo. A investigação apura se ela atuava para o PCC. Layla tinha passado pela Polícia Militar no Espírito Santo antes de ingressar na Polícia Civil paulista. Ela tomou posse como delegada em 16 de dezembro de 2025 e, depois disso, passou a morar com Jardel na capital paulista.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) identificou que os dois negociavam a compra de uma padaria. Segundo os investigadores, o comércio serviria para lavagem de dinheiro da facção. O MPSP ainda tenta dimensionar qual era o papel da delegada dentro da organização criminosa e o nível de envolvimento com as demandas do grupo.
Recrutamento
Além do papel de coordenação, a PF relatou que Jardel utilizava adolescentes em tarefas da facção, considerando que o sistema jurídico prevê punições mais leves para essa faixa etária. A corporação também apontou que ele instruía jovens em práticas de tortura usadas em punições internas. Um dos vídeos analisados mostra orientações de golpes com pedaço de madeira nas mãos para causar dor prolongada.
As redes sociais também teriam sido usadas para disseminar símbolos e gestos do PCC e pressionar integrantes locais a adotarem posturas mais violentas. A investigação registrou tentativas de articulação para ataques contra autoridades do sistema de Justiça, do sistema prisional e das forças de segurança.
Jardel chegou a ser preso em 2021 durante ação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) em Roraima, coordenada pela PF. Atualmente, cumpre a pena em liberdade.








