O ministro do TCU Jhonatan de Jesus ao lado do pai, o senador Mecias de Jesus, ambos do Republicanos. Foto: Ascom parlamentar

Em Iracema, no sul de Roraima, a promessa de construção de 300 casas populares financiadas por emendas parlamentares não se concretizou. No local indicado para o conjunto habitacional, às margens da BR-174, há apenas uma casa construída, hoje desocupada e com sinais de deterioração, enquanto o restante da área permanece sem qualquer infraestrutura, tomada por mato e sem indícios de obras. O cenário contrasta com o cronograma divulgado pela gestão municipal, que previa a entrega do empreendimento até o fim de 2024.

Segundo reportagem publicada hoje (12) pelo jornal O Estadão, os recursos, cerca de R$ 13 milhões em “emendas Pix”, foram indicados pelo então deputado federal Jhonatan de Jesus, atualmente ministro do Tribunal de Contas da União, e por seu pai, o senador Mecias de Jesus. As emendas mencionavam a construção das moradias e também a pavimentação e recuperação de estradas no município. À época, o projeto foi usado politicamente pela gestão municipal como vitrine administrativa.

Mais de um ano após o início previsto das obras, nem mesmo a primeira etapa, que contemplaria 60 casas, saiu do papel. Não há fundações, canteiro de obras ou equipamentos no local. A única casa erguida não foi ocupada e apresenta sinais de abandono. Segundo a prefeitura, os valores destinados à habitação teriam sido utilizados na elaboração de projetos técnicos, como projetos arquitetônicos e de engenharia, etapa considerada obrigatória antes da execução física das unidades, mas sem apresentação de um novo cronograma para a construção.

Procurados, Jhonatan de Jesus e Mecias de Jesus negaram qualquer irregularidade. Ambos afirmam que a indicação das emendas não se confunde com a execução, que cabe exclusivamente ao município beneficiado. O ministro do TCU declarou que não tem conhecimento de vínculos entre as emendas e investigações locais e reforçou que a responsabilidade por projetos, execução, transparência e prestação de contas é dos entes executores, conforme a legislação e decisões do STF.

Reportagens do Estadão apontam que outras emendas indicadas por Jhonatan de Jesus em Roraima resultaram em obras inacabadas, asfaltos deteriorados e ausência de prestação de contas detalhada, com Iracema figurando como um dos principais destinos dos recursos. Segundo o jornal, ministérios do governo federal teriam deixado de aprovar projetos por falta de informações e por não atendimento a metas exigidas.

O caso se insere em um contexto de investigações envolvendo a antiga gestão municipal e aliados políticos locais, incluindo apurações sobre uso eleitoral de obras públicas e supostas irregularidades administrativas. Enquanto isso, moradores da região seguem sem as moradias prometidas, e o terreno destinado ao conjunto habitacional permanece vazio, simbolizando o descompasso entre o anúncio dos recursos e a entrega efetiva das políticas públicas.

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