O Governo Federal iniciou a formação de dez educadores que vão atuar na implementação da Educação de Jovens e Adultos no território Yanomami, em Roraima, atendendo 35 comunidades do povo Sanöma. A preparação ofertada pela Universidade Federal de Roraima integra um projeto considerado pioneiro e voltado ao fortalecimento de práticas pedagógicas alinhadas aos aspectos socioculturais e linguísticos da região.
A previsão é que os profissionais comecem a atuar no território a partir de fevereiro de 2026. O curso se insere em ações que o governo tem adotado na Terra Indígena Yanomami, após a crise humanitária decorrente do avanço do garimpo ilegal entre 2021 e 2022, que afetou saúde, segurança alimentar e meio ambiente.
A presidenta da Funai, Joenia Wapichana, afirmou na abertura da formação que “a educação é um direito fundamental de todos e uma ferramenta para assegurar o acesso a direitos territoriais, sociais, civis e políticos”, avaliando que o processo contribui para ações estruturantes dirigidas à autonomia das comunidades.
A coordenadora do curso pela UFRR, Adriana Santos, explicou que a equipe reúne professores de diversas áreas e que a participação indígena será incorporada desde a elaboração da grade curricular. Segundo ela, o objetivo é romper com o modelo escolar convencional. “Nosso trabalho agora é colocar em exercício uma prática docente diferente da escola regular, uma prática que respeite a identidade cultural dos Sanöma. Por isso, é o momento de desconstruir uma ideia de escola preconcebida que temos e se abrir para esse novo processo junto aos Sanöma”.
Antes do início das aulas, o povo Sanöma deverá ser ouvido de forma direta para definir conteúdos e metodologia. “A universidade é que vai para dentro do território ofertar a educação básica. Imagine o retorno com as escolas fortalecidas nas comunidades, com a política pública fortalecida dentro das comunidades”, disse Adriana Santos ao tratar do caráter inédito da iniciativa.
Além da formação, a agenda da Funai em Roraima incluiu reunião de acompanhamento da Força-Tarefa Yanomami Ye´kwana, responsável pelo planejamento de ações a serem executadas em 2026, como segurança alimentar, avicultura, aquicultura, manejo territorial e cursos voltados à autonomia econômica e nutricional das comunidades.








