Foto: reprodução/ redes sociais

Não há espaço para proselitismo na política do momento. Os políticos podem até tentar, com suas cestas básicas e promessas, mas inclusive aqueles que viveram até aqui achando que estavam tapeando os governos e candidatos, ao negociarem seus votos, sabem que podem se tornar um venezuelano pedindo em semáforos ou implorando um “bico” qualquer para colocar comida na mesa da família.

O auxílio que o governo paga para que as pessoas fiquem em casa, durante a quarentena, o “corona vale”, não é suficiente para nenhuma família, especialmente àquelas que precisam batalhar  como diarista, empreitada ou um “bico” qualquer a fim de aumentar a renda a todo custo, matando um leão por dia.  Aos vagabundos de sempre, qualquer dinheiro é suficiente para a vida que levam sem responsabilidade com nada. Aos pais e mães de família, não.

Está sendo comprovado que a ideia de Estado mínimo não funciona quando a mão de obra fica impossibilitada de vender seus serviços ao grande capital, especialmente quando o cidadão está confinado em casa, sem outra  opção.  O Estado, até então, só tinha recursos para ajudar bancos e grandes empresas à beira da falência. Agora sabe-se que há muito dinheiro que pode e deve ser usado para o bem coletivo.

Quando alguém falava de distribuição de renda justa e de dinheiro para ajudar o povo, esse alguém era tachado imediatamente de “comunista” ou “de esquerda”. Hoje estamos aprendendo que é papel essencial do governo ajudar o povo em situação de emergência e calamidade.  O governo brasileiro de ultradireita nem precisou se explicar para adotar o auxílio aos brasileiros. Porque não ir trabalhar não significa mais comportamento de malandro.

Um novo pensamento sobre o papel do Estado precisa ser reconstruído. O Brasil estava entrando numa histeria coletiva demonizando a ciência, o conhecimento e as políticas sociais, inclusive com autoridades defendendo o fim do Sistema Único de Saúde (SUS), como se este fosse “coisa de esquerdista” querendo moleza nos hospitais públicos.  O coronavírus tratou de provar que, se não fosse um sistema de saúde pública, a população iria pagar as duras consequências de uma pandemia.

Os governos que não cuidaram da saúde hoje são obrigados a agir de maneira absoluta, com prioridade máxima, porque não são apenas pobres morrendo na fila dos hospitais.  Os ricos também podem ir para o caixão lacrado, porque estão no grupo de risco devido à baixa imunidade pela vida longe dos riscos que um pobre passa diariamente, seja por um trabalho insalubre ou por uma vivência nas duras dificuldades econômicas na periferia. Os ricos podem fazer isolamento social em suas confortáveis casas e pedir tudo por aplicativo. Os pobres não.

Chegamos em uma encruzilhada e o cidadão assalariado não sabe nem se terá emprego quando tudo passar. É por isso que o povo vai cobrar políticas efetivas e rápidas, que podem livrar a sociedade de um caos econômico e social.  Políticos que só prometem e não cumprem serão os mais exigidos. O momento cobra do cidadão que ele enxergue a política de forma diferente, como parte de sua sobrevivência na sociedade. É a tomada de consciência que o coronavírus veio nos forçar a qualquer custo.

*Colunista

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