
A escolha dos candidatos da prefeita Teresa Surita (MDB) – obviamente sob o comando do seu mentor e mestre, o ex-senador Romero Jucá (MDB) – para sucedê-la na Prefeitura de Boa Vista tem algo muito maior por trás do que esse discurso de “manter o legado”. Vejamos.
O candidato a prefeito, o atual vice-prefeito Arthur Henrique Brandão Machado (PSD), não é necessariamente um novato na política. Ele vem de uma família que já servia o grupo Teresa e Jucá. É filho de Arthur Machado Filho, ex-homem forte do grupo desde quando Jucá e Teresa eram casados, um coringa que transitava fácil nas pastas de maior interesse do grupo.
O Arthur pai saiu de cena logo depois de ter respondido, junto com Teresa, quando era corregedor-geral, por uma investigação feita pelo Ministério Público de Roraima (MPRR), em 2011, quando ele junto com Teresa e um empresário tiveram decretada a indisponibilidade de bens, no valor de quase R$5 milhões, para cobrir um suposto rombo deixado pelo pagamento por serviço de limpeza urbana não realizado durante três anos seguidos.
Arthur, o filho, é a nova geração dos homens e mulheres de confiança do grupo, sendo responsáveis por manter a caixa-preta das obras e serviços milionários em seus respectivos setores. Como vice-prefeito, ele acumulava o cargo de secretário municipal de Educação de forma interina. Ele começou na Prefeitura como secretário extraordinário de Inclusão Digital, em 2013, cargo que ocupou até 2016, até ser vice-prefeito.
Precisa ser lembrado que, nas mãos de Arthur como secretário de Educação passa o contrato milionário com o Instituto Alfa e Beta (IAB), que fornece livros didáticos e materiais para a rede municipal de ensino, cujo contrato no ano passado foi no valor R$5,6 milhões. Assim como o pai, o vice-prefeito tem a estrita confiança do grupo Jucá nos negócios feitos pela Prefeitura.
A candidata vice-prefeita que compõe a chapa de Arthur Machado é nada mais nada menos do que a eterna chefe de Gabinete de Teresa Surita, Edileusa Loz, que ultimamente estava em outra pasta-chave para o grupo Jucá, a Secretaria Municipal de Gestão Social, onde Teresa tem todos as famílias pobres mapeadas para suas ações.
Não precisa dizer que a candidata a vice também é de estrita confiança do grupo Jucá, responsável também por manter bem guardada a chave da caixa-preta de tudo o que ocorre nos bastidores e nos processos licitatórios milionários da Prefeitura de Boa Vista. Afinal, por duas décadas ela foi responsável por zelar do gabinete da prefeita, onde tudo ocorre, tudo mesmo.
E sob o comando do ex-senador Romero Jucá, que administra politicamente tudo de perto, dando os comandos a Teresa Surita, a quem ele nunca chama de prefeita em seus vídeos e entrevistas, e dita ordens à Secretaria de Obras e às empreiteiras que fazem praticamente tudo na Prefeitura.
Não é uma questão de defender seu legado à frente da Prefeitura. Os candidatos de Teresa e Jucá estão escalados para que a caixa-preta não caia em mãos “erradas”, mantendo obras e serviços milionários sempre direcionados a grandes aglomerações paulistas e assim tentar pavimentar a volta de Jucá ao poder.
Tudo muito cristalino. Só não vê quem é cego…
*Colunista