Romero Jucá vistoriando geradores da Oliveira Energia, empresa que depositou dinheiro para a família do ex-senador (Foto; Divulgação/Veja)

De uma forma geral, os políticos nunca quiseram o desenvolvimento do Estado de Roraima. Porque seus negócios estão baseados em um povo que seja dependente de tudo. Os políticos que chegaram como forasteiros sabiam disso, por isso de tudo fizeram para manter como está, no atraso.

Por três décadas, o ex-governador e hoje ex-senador Romero Jucá (MDB) teve o super poder nas mãos, em Brasília, para tirar esta terra do atraso e da dependência das transferências dos recursos federais. Foi líder de todos os governos, tanto da esquerda quanto da direita. Mas Jucá nunca quis a independência do povo roraimense.

A questão energética, uma das mais cruciais hoje, esteve na lista do descaso dos políticos guindados ao poder, especialmente Romero Jucá, que por pelo menos duas décadas como senador teve influência no Congresso Nacional, sem que este grande gargalo ao desenvolvimento fosse solucionado.

Hoje, com a grave crise energética no Estado do Amapá, a opinião pública passou a perceber que Roraima também vive uma situação crítica e que pode repetir o que está ocorrendo com os amapaenses. Jucá, por sua vez, tem grande parcela de culpa, talvez a maior delas, pois os fatos levam o ex-senador a um caminho nebuloso na questão energética roraimense.

Em setembro de 2018, a Polícia Civil de Roraima abril investigação (para variar, em  um procedimento sob sigilo e que nunca deu em nada) a fim de apurar uma estranha relação da família de Jucá com a empresa amazonense Oliveira Energia, que arrematou em leilão a distribuidora da Eletrobrás em Roraima pelo valor simbólico de R$50 mil. Sim, cinquenta mil reais!

A empresa manauara, que hoje opera em Roraima, caiu na malha do Coaf (órgão do Ministério da Fazenda que controla as atividades financeiras), que informou à Polícia Civil de Roraima sobre a transação financeira suspeita. A Oliveira Energia fez um depósito de mais de meio milhão de reais na conta da Buritis Comunicações Ltda, que é a TV Band em Roraima (Canal 8).

É de conhecimento público que a TV Band em Roraima pertencia a Romero Jucá, cuja empresa estava no nome da atual esposa de Jucá, Rosilene Brito, e do filho dele, o ex-deputado estadual Rodrigo Jucá. Foi para eles o depósito da Oliveira Energia no valor de R$572 mil, logo depois da compra da distribuidora da Eletrobras em Roraima.

Outro depósito também passou a investigado, no valor de R$151 mil, feito pela empresa Fenixsoft Gestão de Softwares para Marina Jucá, filha do ex-senador Romero Jucá, transação esta que também caiu no crivo do Coaf.

Esta empresa já havia formalizado, naquela época, ao menos três contratos com a Prefeitura de Boa Vista, cuja prefeita Teresa Surita é outra ex-mulher de Romero Jucá.

O Coaf chegou a apontar movimentações suspeitas em dinheiro ou sem justificativa por Marina Jucá e pela TV Band. Mas o tempo passou e até hoje nunca mais se falou sobre isso e nem a Polícia Civil de Roraima divulgou o resultado dessa sigilosa investigação.

Como tudo ficou oculto até aqui, a opinião pública passou a suspeitar que Jucá teria sociedade com a Oliveira Energia, empresa hoje atuando em Roraima, com o Estado sempre vivendo sob seguidos riscos de um colapso energético total.

Como o caso nunca ficou esclarecido, o povo começou a chamar a empresa de “Romero Energia” devido aos apagões que ocorrem rotineiramente na Capital e no interior. E mais um motivo para a opinião pública suspeitar que a crise energética em Roraima faz parte não apenas de um projeto político como também há alguém lucrando com isso.

Bem que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Questão Energética, na Assembleia Legislativa de Roraima, poderia esclarecer essa relação de Jucá com o sistema energético e a empresa Oliveira Energia.

Enquanto isso não acontece, a Romero Energia, quer dizer, a Oliveira Energia vem faturando alto com a crise energética vivido pelo povo roraimense.

Seremos o próximo Amapá por culpa de políticos?

*Colunista

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